21 novembro 2016

Para Sempre Alice ~ Lisa Genova

Para Sempre Alice, de Lisa Genova, é uma emocionante história sobre Alzheimer. Alice Howland é uma renomada professora de psicologia e linguística na Universidade de Harvard. Casada, com três filhos: Anna, advogada; Tom, médico e Lydia, atriz. Lydia é fantástica, tanto no filme quanto no livro. 

A obra foi adaptada pera o cinema, sendo Alice, interpretada por Julianne Moore, que recebeu prêmio de melhor atriz no Globo de Ouro e no Oscar.

Vale ler e ver… é emocionante.
“Sou esposa, mãe e amiga, e logo serei avó. Ainda sinto, compreendo e sou digna do amor e da alegria dessas relações. Ainda sou uma participante ativa da sociedade. Meu cérebro já não funciona bem, mas uso meus ouvidos para uma escuta incondicional, meus ombros para que outros chorem neles, e meus braços para abraçar outras pessoas com demência. […] Não sou uma pessoa moribunda. Sou alguém que vive com a doença de Alzheimer. E quero fazê-lo tão bem quanto me for possível.”

05 setembro 2016

Amizades e Folias ~ G.K. Chesterton


Há algumas pessoas que se queixam das pessoas que não fazem nada. 

Outras ainda, mais misteriosas e extraordinárias, queixam-se de não ter nada que fazer. Quando lhes aparecem alguns dias ou horas em branco, resmungam contra a brancura desses dias e horas. 

Quando lhes dão o dom da solidão, que é o dom da liberdade, rejeitam-no e destroem-no deliberadamente com qualquer coisa (…). 

Falo apenas por mim; sei que é preciso de tudo para fazer um mundo, mas não posso deixar de estremecer quando vejo as pessoas deitarem à rua as suas férias duramente ganhas, como impelidas pela irresistível obrigação de fazer qualquer coisa. 

Pelo que me diz respeito, posso dizer que nunca tive o bastante nada que fazer. Sinto como se nunca tivesse tido o ócio preciso para desembrulhar uma décima parte da bagagem da minha vida e dos meus pensamentos. 

Não é necessário dizer que não há nada de particularmente misantrópico no meu desejo de isolamento, muito pelo contrário. Na minha adolescência, como disse, fui algumas vezes, e numa direção bastante ruim, um isolado da sociedade. Mas, depois de adulto, nunca mais me senti tão sociável como quando só.

G.K. Chesterton, Autobiografia, cap. X  - Amizades e folias, 243 p.
Gilbert Keith Chesterton, (Londres, 29 de maio de 1874 – Beaconsfield 14 junho de 1936), conhecido como G. K. Chesterton foi jornalista, poeta, historiador, teólogo e ensaísta.

03 julho 2016

A Intimação ~ John Grisham

Ray Atlee, professor de Direito na Universidade da Virginia, em Charlottesville, recebe uma carta de seu pai, um Juiz aposentado, "intimando-o" para ir até sua casa, no Mississipi, para conversarem sobre o testamento.

Há algum tempo doente o Juiz Reuben Atlee, sabia que não tinha mais tempo por isso convocou os dois filhos, Ray e Forrest. Forrest Atlee, vive entre raros momentos de sobriedade e recaídas nas drogas e álcool.

Ray sabia que não ia herdar nada valioso. Quase tudo que ganhava o Juiz doava para a caridade, e vivia com simplicidade. A surpresa é que quando Ray chega a Maple Run, encontra o juiz morto (causa natural) e uma fortuna de mais de 3 milhões de dólares em um armário.

Sem saber o que fazer e nem a origem do dinheiro, Ray decide escondê-lo até que tudo esteja claro. Ray também encontrou em cima da escrivaninha do pai um testamento, onde estava escrito que todos os bens deveriam ser divididos igualmente entre ele e Forrest, e que ele deveria ser o inventariante do testamento.


A partir deste momento, a vida de Ray se transformará em uma caçada, onde ele é a presa. Alguém sabe do dinheiro escondido e irá atacá-lo até conseguir toda a quantia de volta. Sem dúvida uma boa leitura!!!

Outras resenhas de John Grisham, por ordem de publicação do autor:
1. Tempo de Matar (1989)
2. A Firma (1991)
3. O Dossiê Pelicano (1992)
4. O Cliente (1993)
5. A Camara de Gás (1994)
7. O Júri (1996)
8. O Sócio (1997)
9. O Advogado (1998)
10. O Testamento (1999)
11. A Confraria (2000)
12. A Casa Pintada (2001)

13 fevereiro 2016

A Arte de Educar

Comecei minha vida profissional aos 14 anos, quando me tornei instrutora de ballet clássico. Depois disso, por gosto com a vida acadêmica e amor aos livros me tornei professora de Filosofia no segundo grau e mais tarde professora universitária nas disciplinas de sociologia, criminologia e filosofia. Hoje continuo ligada a vida acadêmica, mas longe das salas de aulas.
Felizmente pude fazer essa opção quando o David nasceu. Hoje sou mãe em tempo integral: mãe é profissão de fortes; somos educadoras, motoristas, artistas, organizadoras de festas e atividades, um pouco enfermeiras e até médicas. A lista é longa.
Confesso que educar um ser humano, é uma das tarefas mais desafiantes que já enfrentei na vida.
Meu filho tem 4 anos, e está determinado a interagir com o mundo da forma como ele imagina. Nem sempre sua imaginação vai de acordo com as normas de ‘civilidade’ e aí começam os desafios.
1. Pedir por favor, agradecer, dizer com licença, aguardar sua vez para falar… são atividades simples que tentamos ensinar em casa. Se ele pede alguma coisa deve pedir por favor, se receber, deve agradecer. Obviamente, esse ‘ensinamento’ já mais enraizado, não pode deixar de ser praticado nunca. Assim, sigo torcendo para que o ‘costume de casa vá a praça’.
2. Ipods, Ipads, sim ele tem. Sei que vai chegar o momento em que não poderei limitar o uso, porque então, a idade não permitirá. Assim, ele sabe: no carro, preste atenção na paisagem, converse, cante, conte histórias, pergunte. Há muito para se ver… Em casa, brinque e quando estiver cansado, use o Ipod (com filmes adequados para sua idade, jogos sem violência embutida…). Ao sair de casa, o Ipod fica.
3. Educar o comportamento individualista não é fácil, mas é necessário. Algumas batalhas foram travadas para evitar o ‘reino’ imaginado pelo nosso filho. Sentar-se a mesa para comer no horário da família; respeitar o espaço do outro, aguardar a vez de falar… diria estamos em bom caminho.
Ainda em processo de aprendizado está o fato de que, se algumas coisas não vão como ele quer, ‘a cara de choro’ surge e algumas vezes o ensaio do choro. A nossa estratégia é sempre a mesma: ‘respire fundo e se organize ou vai perder o privilegio de brincar com… (usamos o favorito do dia, seja Lego, ipad, carros…). Normalmente funciona, porque ele sabe que estamos falando sério. Das vezes que ele ‘nos testou’ quando chegou em casa colocamos ele na cadeira (sentado por 1 minuto) e explicamos que ia perder o privilégio de brincar com (por exemplo) o carrinho favorito do dia. Das primeiras vezes que ‘educamos’ ele chorou, mas nos mantivemos firmes e AGORA ele sabe o que tem a perder e faz a escolha dele. Nem sempre ele escolhe o ‘ensinado’ mas já sabe que suas decisões são carregadas de consequências...
De acordo com Pamela Druckerman, no livro As Crianças Francesas Não Fazem Birra, lido por indicação da mãe do João, Yandra, “Birras não mudam regras. É importante ter isso em mente, Isso não quer dizer que precisamos ser frios. É importante mostrar solidariedade e deixar que as crianças expressem seu descontentamento.” Então vamos lá...
Uma única vez removemos ele do restaurante. Ele queria comer algo que não tinha no cardápio e antes que começasse o ‘protesto’ meu esposo, foi para o carro com ele. Lá ele ficou sentando na cadeira por um minuto e quando voltou veio uma outra pessoa, o bom humor retornou. É preciso muita paciência e persistência, porque enquanto meu esposo foi para o carro eu fiquei sozinha no restaurante, imaginando quanto tempo ia durar até a volta deles. Mas contive a minha vontade de ir ver o que estava acontecendo.
4. Idas a supermercados, lojas… foi um outro aprendizado. Antes de sair de casa explico: vamos fazer as compras da casa e você não vai pedir nada, entendeu? Obviamente ele diz que sim. Aconteceu algumas vezes dele ter dito sim, e ao chegar na loja agiu em beneficio próprio pedindo o que queria. Nesses casos, explico, argumento, e se não funcionar (e as vezes não funciona) deixo que ele proteste e encurto a visita para evitar ‘perturbar’ as pessoas. Em casa, ele vai se sentar na cadeira e ouvir as explicações já ditas antes. Sim, sim, sim  é exaustivo para mim e para ele. Mas educar é um projeto de longa duração.
O fruto dessa atividade de dizer não, é que o David, já vai no Shopping e no Supermercado e volta sem pedir nada. Fácil não foi, mas hoje vejo que valeu o nosso esforço.
Para diminuir as expectativas dele: eu aviso onde vamos, o que vamos fazer e comprar e algumas vezes digo que ele pode escolher alguma coisa no valor X e outras vezes digo que ele não vai comprar nada. Consistência é a chave do sucesso.
5. Já percebi que David, tem uma personalidade decidida. E quando ‘coloca sua mente’ em alguma coisa, se determina a fazer acontecer. Eu tento usar isso a favor dele. 
Ele está na natação e vai com muito gosto. Não preciso chamar duas vezes para as aulas. Depois das aulas fica um tempo na piscina. Utiliza bem a energia e fortalece os músculos. Uma mãe conhece bem o filho e percebe o que ele gosta de fazer. Talvez nadar não seja o esporte adequado para seu filho(a), então pense em outra atividade esportiva.
Outra atividade que o David tem apreciado são as aulas de piano. Ele gosta de música. E eu gosto da ‘estrutura das aulas’, penso que auxilia na organização das ideias, na expansão da mente.
Sempre trato os professores do David com muito respeito e até referência. Penso que uma boa lição para ele, é ver que eu os trato bem e que essas pessoas são importantes para nós. Quando oportunidades se apresentam, digo ao David para comprarmos ‘lembranças’, ‘presentes’ para os professores. Digo que é uma forma de agradecer todo o trabalho de ensiná-lo. Já percebi, que algumas vezes ele diz que quer levar algo para o professor X, ou Y, partindo dele a atitude de agradecer.
6. Tento ao máximo, trabalhar com artesanato. Confio na arte de ‘montar’, ‘criar’, ‘idealizar’... atividades simples mas que fortalecem a mente e ajudam a preparar a musculatura das mãos ainda em desenvolvimento, para a arte da escrita.
Fácil não é... algumas atividades fracassaram por não despertar interesse. Assim tenho sempre listadas 3, 4 atividades e vou de uma para outra, caso a primeira não funcione.
Para facilitar meu trabalho, nos inscrevemos em um box de atividades, o Kiwi Crate. Kiwi Crate é um serviço de assinatura mensal especializado em oferecer atividades e jogos para as crianças. O site envia pelo correio um kit com um projeto educativo para montar, criar e brincar. Cada mês é uma atividade diferente, uma aventura diferente. No Brasil tem um serviço semelhante, Box Joanninha e quem gosta de educar pela arte, vale a pena pesquisar.

7. Por fim, ‘a arte de elogiar’, decidimos elogiar a área do comportamento. Se David se comporta bem, elogiamos.

Ele está no Kumon, e recebeu uma medalha por estar avançado em matemática e em leitura. Ficamos felizes! Muito felizes!!! Mas não alongamos a conversa com intensos elogios.

Mas quando percebemos que ele por exemplo: compartilha um brinquedo com outra criança; é gentil com alguém; aguarda sua vez para receber alguma coisa; sai da piscina quando chamo, sem demorar... aí sim elogiamos entusiasticamente. E porque? Porque uma pessoa que sabe viver em comunidade, que não ‘se demora’ nas frustrações da vida; que tem bom humor; que sabe ser responsável por suas escolhas... essa pessoa vai conquistar sucesso acadêmico, profissional e material.

Não, não temos um filho comportado, como disse antes, ele é um menino decidido e sabe o que quer (e quer logo!). Mas podemos frequentar qualquer ambiente sem que o David interfira na paz do lugar. Ele aprendeu que um não é um não. Ele pode até negociar, como as vezes faz: “me deixa ficar mais 10 minutos na piscina?” as vezes digo sim, as vezes digo “fique 5 minutos...” e explico o motivo.

Trato-o com respeito, mas impondo os limites necessários, porque afinal ele tem 4 anos e terá muito tempo para decidir, sem a nossa interferência... para que avançar o tempo?

Obviamente há crianças meigas, há crianças determinadas, há crianças rebeldes, há crianças ‘adultas’... e ninguém melhor do que aquele ou aquela que cuida para saber como determinar o que funciona e o que não funciona. Uma coisa eu tenho percebido, cuidar é atividade cansativa, educar é atividade constante. Amar é impor limites pelo bem da criança e o bem daqueles que convivem com ela.

26 janeiro 2016

Se Eu Ficar & Para Onde Ela Foi ~ Gayle Forman

Mia (17 anos) tem uma família linda: um pai divertido, companheiro, professor de inglês, ex roqueiro; uma mãe amiga, agente de turismo e ex roqueira e presente e Teddy, um irmão baterista e bem humorado.

Mia é uma musicista, toca violoncelo e recentemente foi aceita na Juilliard, uma das melhores universidades de música no mundo. Seu namorado é Adam, músico, roqueiro e com uma banda que recebeu proposta para gravar um CD. Sua melhor amiga é Kim, que assim como Mia, ama o mundo artístico, e quer ser fotógrafa.

Em uma bela manhã com neve as aulas foram canceladas e a família de Mia decide ir visitar um casal de amigos e aproveitar para almoçar os com avós de Mia. No caminho… uma tragédia…

Não é um livro longo, mas há uma certa intensidade no fato de Mia ficar entre a vida e a morte. Sim, quem é emotivo, chora… Mia vai lembrando de sua vida, de seus pais, seus sonhos… Há uma sequência de SE EU FICAR, PARA ONDE ELA FOI.


Três anos após o acidente de Mia, ela está separada de Adam. 

Adam se tornou um rock star. Tem uma namorada atriz de Hollywood, é riquíssimo, amado por todos, tem músicas que são hits e ainda tenta esquecer Mia que rompeu com ele. 

Adam é famoso e Mia também.  Eles se reencontram por acaso em Nova York. Adam e Mia têm apenas algumas horas antes que ambos partam em diferentes turnês, para entender tudo o que aconteceu após a separação deles. A história é narrada por Adam. Para quem leu o primeiro livro ou tem interesse, vale a pena ler o segundo livro.


18 janeiro 2016

A Culpa é das Estrelas ~ John Green

A Culpa é das Estrelas narra o romance de dois adolescentes que se conhecem (e se apaixonam) em um Grupo de Apoio para Crianças e Adolescentes com Câncer. Hazel, é uma jovem de 16 anos que sobrevive graças a uma medicação revolucionária que detém a metástase em seus pulmões. Augustus Waters, de 17 anos, ex-jogador de basquete é sobrevivente de um osteosarcoma.

Como Hazel, Gus é inteligente, tem ótimo senso de humor e luta para se curar, embora saiba que o prognostico não é bom.


Não é uma história alegre, mas também não é devastadoramente triste. A forma como os jovens enfrentam a vida é inspirador. Vale a pena ler.





Outras Resenhas de livros de John Green
Quem é Você Alaska
O Teorema Katherine
Cidade de Papel


Esquecer o Natal ~ John Grisham

Luther e Nora, deixam a filha Blair no aeroporto. Blair vai passar dois anos no Peru, ajudando crianças indígenas em uma escola local. Em...